Jogos dentro de jogos!

Como prometido, vou falar aqui um pouco sobre os jogos do The Rotfather.

Eu venho intercalando meu trabalho no projeto com o jogo digital, e com os jogos analógicos. Estamos trabalhando em algumas artes novas para o Contrabando e tentando avançar com as vendas do Intrigas. Para esses dois jogos, já estou testando também algumas expansões! O Ostentação e o Máfia ficaram parados pois são protótipos que dão mais trabalho para fazer e testar, mas já estão com versões novas. O Ostentação provavelmente sairá primeiro, pois já foi bem mais testado e acho que agora está numa etapa legal (mas bem diferente das versões anteriores).

Mas hoje queria falar de dois projetos rápidos e bem interessantes de fazer. Havia um tempo já, eu tinha vontade de fazer jogos para dentro do universo Rotfather, e não sobre o universo, assim como o Gwent é para o universo do Witcher, ou o Quadribol é para o Harry Potter. Isso era importante pois na época e contexto em que a história se passa, os jogos de mesa eram uma diversão constante e bem universal. Assim, os personagens poderiam aparecer nos jogos, nos quadrinhos ou outras mídias, jogando jogos que fariam sentido dentro do contexto deles. Por exemplo, outro dia, por exemplo, alguém estava desenhando um Cassino, e me veio a questão: Quais jogos eles jogam nesse cassino, e quais são os componentes desses jogos?

Pois bem, resolvi então que faria alguns jogos simples para ajudar a compor a ambientação do universo.

A primeira ideia foi na verdade criar um baralho para esse universo. Os naipes do nosso baralho e as figuras como o Rei, a Rainha, o Joker representam a sociedade medieval européia. No caso dos animais dos esgotos, eu achei que isso não faria muito sentido, e resolvi criar alguns naipes que tivessem a ver com a vida primitiva e coisas básicas, como nascimento, morte, reprodução, claridade e escuridão. Como dá pra ver, acabei pensando em 5 naipes. Isso é totalmente arbitrário, mas fiz isso simplesmente por que desde criança tinha vontade de ver um naipe azul, entre o vermelho e o preto, então por que não aproveitar o momento, não é?
Um baralho entretanto, não é um jogo, é um tipo muito específico de componente, a partir dos quais jogos são criados. Existem outros tipos de baralhos inventados por game designers por aí, que são bem legais, um dos meus favoritos é o Zont Deck. De qualquer jeito, uma coisa interessante, é que geralmente os naipes representam coisas ou “valores” subjetivos, o que faz com que em alguns jogos a função de determinadas cartas seja mais ou menos parecida: por exemplo, o Ás, embora seja o número mais baixo, geralmente é uma carta forte em muitos jogos. Então eu meio que criei uma sugestão de valores para os naipes e cartas, para ajudar a criação de futuros jogos (que eu ainda não criei)

Baralho do universo Rotfather
Baralho do universo Rotfather

A outra ideia foi um jogo abstrato com origem oriental. Ele é para simular o simbolismo do xadrez. Semre que vc vê alguém jogando um jogo abstrato em uma série, vc pensa: “esse cara é inteligente, astuto, estrategista”. O jogo é mais ou menos inspirado no Bagha Chall e naquele velho jogo da cobrinha para celular. É um jogo assimétrico, onde um jogador controla dois sapos, e o outro controla uma serpente feita de 20 segmentos. A serpente tem que capturar pelo menos um dos sapos e os sapos tem que sobreviver até que a serpente não consiga mais capturá-los. Existem mais regrinhas que não vou escrever aqui. Mas o jogo foi bastante testado, é rápido e cativou bastante as pessoas! Demorei para achar o balanço certo entre o tamanho do tabuleiro, as regras de movimento, quem começa, onde começa, quais movimentos podem e quais não. Mas agora acho que ele está bem balanceado. É um jogo rápido e simples, que requer bastante atenção, pois um movimento mal pensado faz você perder o jogo. Talvez ele tenha uma estratégia vencedora, mas ainda não descobri.

Jogo dos Sapos e da Serpente
Jogo dos Sapos e da Serpente

One Response

  1. […] jogadores, que fiz pensando como se fosse um jogo interno do mundo do Rotfather. Já expliquei isso em um post anterior, mas em resumo a ideia é que a sociedade dos esgotos é uma sociedade diferente da humana mas que […]

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