Brincadeira de criança estranha

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Estou trabalhando em um projeto com meu amigo Pedro Oliveira, sobre como brincadeiras de criança podem ser um reflexo cultural de situações sociais, políticas e econômicas, as quais elas conseguem perceber mesmo que não as compreendam. Esse exercício me fez lembrar que, quando criança, resolvi brincar de “Plebiscito”. Eu sei que é estranho, mas de fato eu era uma criança muito politizada, hahaha!

A brincadeira era uma simulação do Plebiscito de 93, que pra quem não lembra ou não viveu essa época, foi quando a população do Brasil foi convocada a votar e decidir se o país deveria ser governado sob um regime republicano ou monárquico e se o sistema deveria ser presidencialista ou parlamentarista.
Como criança, me encantava muito a ideia de viver num Reino, pois me parecia muito fantástico. Resolvi então pegar uma mesinha, uma caixa de sapatos -para servir como urna- e um tabuleiro (de um jogo educativo que eu adorava mas nunca mais consegui encontrar), para servir de biombo para o eleitor. Recortei umas dezenas de fichas de papel, onde escrevi as opções, e fiquei lá, uma manhã inteira pedindo para as pouquíssimas pessoas que passavam na minha rua, participarem da votação. De tempo em tempo, eu mesmo pegava uma cédula e votava também! Na hora do almoço levei as coisas para dentro, e de tarde fiz a apuração.

Se dependesse daquela votação da Rua Piratininga, hoje seriamos súditos de Dom Luis de Orleans e Bragança.

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