Dev – Rotfather: Contrabando

Na última quarta-feira, dia 23/09, fizemos mais uma sessão de playtests dos Party Games do Rotfather, dos quais estamos querendo levar dois para apresentar na BGS agora em outubro. Dessa vez veio mais gente, talvez mais por acaso do que intencionalmente, mas de qualquer jeito foi ótimo, pois consegui testar os jogos com mais participantes e também coletar mais impressões. Jogamos o Contrabando e novamente o do leilão, que estou chamando de Ostentação, para combinar com o padrão dos outros jogos da franquia. Foi bem divertido, e dessa vez as coisas correram com mais fluidez. Uma das coisas legais foi que o grupo era misto, formado por gente que já tinha jogado os jogos e outras que não, então sempre aproveito para analisar como os próprios jogadores explicam aos outros as regras do jogo. Isso mostra o que eles entendem e quais aspectos eles priorizam.

Bom, o assunto deste post é o Contrabando, mas como o anterior foi sobre o Ostentação, vou falar brevemente dele. Desta vez o jogo contou com os envelopes. No primeiro momento eles pareceram que iriam atrasar mais o jogo ou atrapalhar, mas no final se mostraram realmente úteis e facilitadores. Percebi que realmente houve um pequeno aumento no tempo de jogo, ficando com cerca de 1h, sendo que a última partida com o mesmo número de participantes demorou uns 45 min. Mas acho que está dentro de uma margem de variação aceitável. O jogo foi bem divertido, novamente com várias estratégias acontecendo. As pontuações finais foram 99, 95, 75, 75 e 49. O que parece ser uma distribuição até que regular dos pontos possíveis. Ainda quero checar melhor a matemática do jogo para ver quais as possibilidades de distribuição e quanto de sorte e quanto de estratégias estão envolvidos, mas o jogo parece bom, as pessoas se divertem bastante e ficam mais espertas a cada vez que jogam.

O Contrabando, por outro lado é um jogo mais difícil de planejar e testar. Ele é um jogo cooperativo com sabotador, mas com uma experiência bem diferente do The Resistance ou do Saboteur por exemplo. A metáfora é a seguinte: Ainda no começo de sua carreira mafiosa, Al Kane quer distribuir um novo carregamento de açúcar para seus comparsas mas de um jeito discreto, pois suspeita que há um policial entre eles. Então eles combinam de, durante 1h, trocar maletas contendo Açúcar, Teias, Armas, Dinheiro e Comida, de forma que, sem revelarem suas identidades, todos consigam obter os itens que querem. O objetivo dos contrabandistas é que a maioria deles satisfaça seus interesses antes de o tempo acabar, e os objetivos do detetive são tirar o Açúcar de circulação, ou identificar qual dos contrabandistas é o Al Kane.

A dinâmica do jogo é inspirada um pouco no jogo conhecido como Porco/Rolhão/Dorminhoco e no Sushi Go. Ou seja, é um set collection onde os jogadores trocam cartas entre si para formar uma combinação específica de cartas. Entretanto, no Contrabando, cada jogador começa sorteando um monte de cartas pré-definido. Este monte indica qual personagem ele é e seu objetivo (sua mão final) e também já vem com as cartas iniciais daquele personagem. Cada jogador começa com 4 cartas de itens, mas tem um objetivo de 5 cartas, portanto, há também um monte na mesa de onde os jogadores podem comprar novas cartas. O primeiro jogador fica responsável por marcar as rodadas, que serão no máximo 6. Em sua vez cada jogador pode ou comprar uma carta da mesa, ou descartar uma carta de sua mão, aberta para todos verem, ou fazer as duas coisas ou nenhuma delas. Independentemente dessas ações, no final do seu turno, o jogador sempre deve pegar uma de suas cartas e passar para qualquer outro jogador da mesa. Depois disso é a vez de quem está na esquerda dele. Assim que um Contrabandista que completar a coleção de 5 cartas indicadas na sua carta de personagem, ele sai do jogo e espera os outros, quando só restarem 3 jogadores os contrabandistas ganham. Se o Detetive conseguir as 6 cartas de açúcar ou todas as que estiverem disponíveis (pois algumas podem ter sido descartadas) ele ganha na hora. Outra possibilidade, e mais comum, dele ganhar é conseguir identificar o Al Kane e dar ordem de prisão a essa pessoa, em qualquer momento do jogo. E é isso.

Ele é um jogo simples e rápido, mas difícil. Na verdade era até difícil de testar sozinho, pois como envolve muitas informações ocultas, a única coisa que pude fazer era testar o tempo que se demorava para formar as coleções assumindo que todos os jogadores sabiam suas identidades. A dificuldade do jogo está na comunicação. Os jogadores precisam conversar e de alguma forma revelar o que querem sem dar muitas pistas de quem são, e precisam conseguir confiar uns nos outros para conseguir as cartas de que precisam. Os jogadores iniciantes têm mais dificuldades por não saberem de cabeça com quais cartas cada personagem começa e com quais cada um quer ficar, e também não tem uma estratégia de trocas muito clara, simplesmente trocam cartas escolhendo aleatoriamente outro participante. Já um bom jogador, consegue blefar e se fazer passar por outro personagem, sabe como usar o descarte e as trocas para comunicar informações sem precisar falar muito. Enfim, é um jogo bem divertido, mas difícil para começar. A estratégia dos contrabandistas tem de ser cooperativa, meio que como no Hanabi, mas ele tem também um elemento de sorte, que alivia um pouco essa pressão. Só preciso identificar um pouco melhor, se o balanço entre sorte e estratégia está bom, o se preciso deixar mais de um lado do que de outro.

 

 

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