Dev – The Rotfather: Leilão das Aranhas

Além do jogo de tabuleiro principal para a franquia The Rotfather, estou desenvolvendo outros três jogos secundários, mais simples e rápidos. Cada jogo aborda alguns personagens ou temáticas presentes no universo The Rotfather, mas que não aparecem tanto nas outras mídias da franquia. Todos os jogos, entretanto se unem pela temática e espírito “ilegal” das ações dos jogadores.

Este jogo, o Leilão das Aranhas, é focado na comunidade das aranhas, que são retratadas na história como seres muito vaidosos e invejosos. Portanto o jogo foi pensado para fazer os jogadores sentirem essa ideia de ostentação a qualquer custo. Mecanicamente, o jogo é um set collection, com dinâmica de leilão e lances secretos, onde é possível blefar e fazer algumas “trapaças” permitidas. Ele foi inspirado principalmente no jogo Ra, do designer alemão Reiner Knizia, e na dinâmica de contrabando presente no Sheriff of Nottingham, dos brasileiros Sérgio Halaban e André Zatz

Neste jogo os participantes representam aranhas organizando leilões de peças de arte. Cada um quer conseguir montar a coleção mais variada pelo menor preço, e no final todos irão comparar suas coleções para ver quem tem a melhor de todas.

Em termos práticos o objetivo é conseguir a maior pontuação no final, sendo que cada carta tem uma pontuação atribuída, e as cartas de arte têm tipos específicos: Algumas pontuam independentemente das outras, algumas só pontuam junto com todas as outras do seu tipo e outras só pontuam se não houverem outras do seu tipo. Por isso os jogadores vão tentar comprar as peças que mais combinam com a coleção que estão montando. Na sua vez de organizar o leilão o jogador irá virar cartas do monte revelando as peças para os outros, até o máximo de 5 cartas. Os jogadores podem interromper o leiloeiro, dando um lance pelo lote com menos de 5 cartas. O próprio organizador não pode comprar aquelas cartas, mas se ninguém tiver interesse ou se os interessados derem lances iguais, essas cartas ficarão para ele.

Os lances são escondidos, e os jogadores podem oferecer o que quiserem, desde dinheiro, até mesmo outras peças. Cabe ao jogador que recebe as propostas, decidir qual é a mais vantajosa. Existem também cartas de Ameaça, que são como um trunfo, ou uma carta de valor infinito. O jogador que usar uma carta de Ameaça como seu lance sempre levará o lote, a não ser que outros jogadores usem a mesma estratégia. Neste caso acontece um empate e o lote fica para o leiloeiro.

Nos primeiros playtests jogaram apenas 3 pessoas. No começo os jogadores pagaram muito por cada uma das peças, mas com o passar dos turnos, começaram a baixar os valores e a esperar os lotes ficarem maiores. Uma das coisas interessantes foi a estratégia de montar o lote final, colocando as cartas ruins primeiro para depois colocar as cartas que interessavam aos outros jogadores, fazendo com que eles comprassem lotes com cartas repetidas, que estragam as coleções deles ao mesmo tempo que limpam a coleção do leiloeiro. Com poucas pessoas, o uso das Ameaças e mesmo de cartas de arte como moeda, não fica tão bom, pois é muito fácil acompanhar o jogo que os adversários estão montando. Mesmo assim o jogo mostra potencial de diversão e espaço para estratégia. As pontuações chegam a mais de 100 pontos, e são sempre uma surpresa no final.Neste último playtest entretanto o grupo foi formado com 5 jogadores. Foi muito mais interessante, pois houve mais estratégias e surpresas. As pontuações finais foram bem próximas, girando em torno de 70 pontos.

Pontos importantes a observar:
– O ganhador não foi o que tinha mais obras de arte, mas muito dinheiro acumulado.
– O uso dos envelopes e dos escudos vai melhorar o jogo.
– Houve uma situação, onde um jogador sempre dava lances na primeira peça do lote, impedindo que o jogador anterior, o leiloeiro da vez conseguisse montar um lote valioso. Me parece uma estratégia legítima, e não tão desequilibrada, mas é bom ficar de olho.
– A possibilidade de uma pessoa comprar uma peça na etapa de leilões pessoais (fim do jogo) e depois disponibiliza-la em seu leilão pessoal, é meio estranha, mas também parece perfeitamente legítima.

O jogo pareceu bem divertido, com muita interação entre os jogadores. Eles acompanharam as compras uns dos outros, e fizeram estratégias baseadas nisso. Assim como nos outros testes, eles começaram comprando lotes pequenos, com uma ou das peças, mas logo perceberam a vantagem de esperar por mais peças. Eles perceberam melhor o valor relativo das peças, e como poderiam utilizá-las como moeda de troca. Utilizaram seus lances como ferramenta de blefe e para forçar outros jogadores a se manifestarem. Uma das coisas mais legais foi ver os jogadores fazendo lances baixos mas utilizando várias cartas como forma de dar uma impressão de que estavam com muito interesse no lote. Essa ação deve sumir com a utilização dos envelopes, mas acho que apenas vai transferir esse blefe para a própria atuação e entonação dos jogadores durante os lances.

Para a próxima versão pretendo planejar melhor uma forma de o dealer poder “trapacear” declarando um empate que não aconteceu, para ficar com o lote para si. Essa regra já está clara em minha cabeça, mas preciso definir qual seria uma punição equilibrada, caso ele fosse pego mentindo.

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