RPG de Bonequinhos

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Alguns tempo atrás, fiquei surpreso e muito feliz quando meu irmão mais novo disse que ainda se lembrava de uma brincadeira que inventei, quando ele era criança e eu ainda estava no começo da adolescência.

Acho que pela diferença de idade, não conseguíamos mais brincar direito juntos. Quando brincávamos com os bonecos de heróis, dinossauros, carros e etc, tínhamos idéias diferentes de como a história deveria continuar, o que gerava confusão, principalmente nas muitas lutas (brincadeira de meninos sempre têm lutas!). Elas se resumiam a ver quem batia mais forte no brinquedo do outro, e sempre terminavam com alguém insatisfeito…

Naquela época eu adorava aqueles livros onde você define os rumos da história, como a coleção Você é o Herói, e também gostava muito de jogos como Final Fantasy e Chrono Trigger. Por isso, um dia resolvi criar uma brincadeira com os bonequinhos, parecida com as de sempre, mas que seguisse algumas regras. Na verdade, eu acabei montando um sistema básico de RPG!  Que era basicamente o seguinte:

  • O movimento do personagem era mais ou menos livre. Eu deixava ele decidir para onde ir, mas avisava caso ele chegasse em algum lugar importante.
  • Ao terminar o movimento, o jogador poderia pedir para vasculhar o local. Nessa hora, eu falaria se ele tinha encontrado algo de interessante. Se houvesse algum boneco inimigo escondido por perto, aconteceria um combate. Haviam também outras coisas, como alavancas que abriam passagens e itens, que não existiam de verdade, mas eu resolvia isso na narração.
  • Haviam três lojas ao longo do jogo, cada uma com sua lista pré definida de ítens e preços, anotadas no caderno.
  • A ficha do herói era composta por Level, Pontos de Vida, Pontos de Ataque, Pontos de Defesa, três espaços para itens. Estes itens poderiam ser armas, escudos, ou consumíveis, como poções para recuperar vida ou a bomba, que causava um ataque fixo.
  • A ficha dos inimigos eram iguais, mas continham também quantos “dinheiros”, quanto Pontos de Experiência e quais itens eles dariam como recompensa ao serem derrotados. Na verdade, só os inimigos principais tinham itens importantes, os outros eu inventava na hora dependendo de como queria que a história acontecesse.
  • A luta, era uma disputa de dado com acréscimo dos status e itens dos personagens. Algo como (Dado + Pts de Ataque + Arma)-(Pts de Defesa do adversário + Escudo)= Dano sofrido.
  • Se o herói derrotasse os inimigos, (que poderiam ser mais de um) ele ganharia os Pontos de Experiência previstos. Mas na verdade essa mecânica atrasava demais, então eu falava mais por falar, e evoluía o herói quando achava que estava na hora.
  • Se o herói perdesse uma luta, ele voltava para um “checkpoint” e continuava a jogar normalmente, podendo comprar novos itens, ou tentar ficar mais forte evoluindo.

O que acho legal dessa história, é que eu nunca joguei muitos RPGs de mesa, e nunca tive nenhum livro de Dungeons & Dragons, GURPs nem nada do tipo. O que fiz, foi pensar num sistema de combate e evolução baseado nos jogos de videogame que eu jogava. E até que deu certo!

Como eu estudava de manhã e meu irmão à tarde, aproveitei esse momento para preparar tudo na sala. Planejei um roteiro partindo da mesa do centro até o topo da estante, passando pelo sofá e poltronas. Escondi vários bonequinhos pelos móveis, mas deixando alguns à vista. Guardei também alguns nos bolsos, para momentos especiais! Separei papel, lápis, borracha, uma calculadora e o caderno onde tinha escrito todas as regras do jogo, fichas de personagem, itens e outras informações. Eu não sabia se a brincadeira ia funcionar, mas lembro que meu maior receio, era que ele simplesmente não quisesse brincar! Felizmente ele topou!

Sinceramente não me lembro nenhum pouco da história, pois não devia fazer muito sentido mesmo. Imagine que os vilões finais eram o Noturno dos X-Men e o Goku SSJ3! Mas tanto eu quanto ele nos lembramos das cenas! Justamente, o que foi mais divertido nessa experiência, é que como minha base de referência eram RPGs de videogame, a ação na brincadeira se desenvolvia de uma forma parecida, com os monstros surgindo e fazendo “cut-scenes”. Conforme o herói ia evoluindo, eu trocava o boneco dele por outros que eu tinha guardado nos bolsos, gerando expectativas e surpresas muito legais! No final, tivemos uma tarde muito divertida, brincamos sem parar e super concentrados por horas! Fizemos isso uma vez só, mas essa experiência foi tão boa que ficou marcada em nossas lembranças

 

 

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